Fazer compras sem cartão de crédito tem se tornado uma realidade inimaginável e cada vez mais ultrapassada no Brasil. Só em 2017, o mercado de adquirência nacional movimentou R$1,36 trilhão em transações, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Foram R$ 842,6 bilhões em compras com cartões de crédito, R$ 508 bilhões no débito e R$ 6,6 bi no cartão pré-pago – um aumento de 12,6% em relação a 2016, considerando as três categorias. No entanto, muita gente ainda não entende como as transações são processadas no e-commerce, então vamos explicar um pouco como funciona esse fluxo nas plataformas de pagamento digitais.

Se Rede e Cielo monopolizavam o mercado até algum tempo atrás, esse cenário passou por mudanças após regulamentação feita pelo Banco Central, permitindo a entrada de concorrentes como Stone, GetNet e Elavon. A utilização crescente de cartões de crédito e a evolução do e-commerce tornaram possível a diversidade de players no âmbito dos meios de pagamento, transformando esse setor em um ramo ainda mais complexo.

Ainda são poucos os varejistas que entendem como os meios de pagamento funcionam: não se tem conhecimento sobre o fluxo seguido pela informação e pelo dinheiro, a partir do momento em que o cartão de crédito é inserido na máquina POS. Ou, no caso de um e-commerce, a partir do momento em que o comprador insere os dados da compra no site do estabelecimento.

Existem algumas diferenças entre como as transações são processadas no mundo físico e no mundo online – os players envolvidos e o papel desempenhado por cada um são apenas algumas delas. No mundo físico, os integrantes desse complexo sistema são representados por:

Adquirente ou Credenciador

Quando o cartão de crédito é inserido na máquina POS, ela opera como um gateway de pagamento do mundo físico, transportando as informações da transação para o adquirente. De lá, os dados seguem para a bandeira e para o banco emissor. O adquirente também oferece estrutura (máquinas POS) e cadastra estabelecimentos comerciais, liquidando transações financeiras em D+30 com os varejistas.

Bandeira

Conecta os sistemas de adquirentes e bancos emissores – é chamada de “instituidora do arranjo”, pois regulamenta as transações realizadas entre as duas partes. Movimenta o mercado de adquirência por meio do estímulo ao uso de cartões de crédito.

Banco emissor

É responsável pela emissão de cartões de crédito, bem como pela cessão de crédito ao portador do cartão. Ao receber os dados de uma compra, o banco faz a autorização (reserva o valor na conta do comprador final) e captura (realiza a cobrança) a transação – caso seja aprovada, ele faz a liquidação com o adquirente em D+27.

A partir do momento em que o cartão de crédito é inserido na máquina POS, ela opera como um gateway do mundo físico e transporta as informações ao adquirente – de lá, os dados seguem para a bandeira, e da bandeira para o banco emissor. O banco emissor verifica se há saldo suficiente na conta do comprador (autorização) e aprova ou nega a transação. Caso seja aprovada, a informação percorre o caminho inverso e ocorre a cobrança do valor (captura).

Em compras à vista, o banco emissor liquida a transação com o adquirente em D+27 – este, por sua vez, liquida com o varejista em D+30. Caso a compra tenha sido efetuada de forma parcelada, o adquirente liquida com o varejista também de forma parcelada, em D+30, D+60, D+90.

Nas transações do mundo online, os principais players envolvidos no fluxo de dinheiro e informação são:

Subadquirente ou Intermediador

Contratado como uma alternativa aos adquirentes e realizando as mesmas funções, possui baixo custo de implementação e fácil integração. Atuando como um serviço terceirizado, é ele que opera os fluxos de informação e de dinheiro, ficando responsável por transportar os dados da transação ao adquirente e liquidar os recebíveis junto aos varejistas.

Apesar das facilidades de preço e integração, existem alguns pontos negativos em relação ao subadquirente: na maioria dos casos, ele antecipa as vendas para o varejista de forma compulsória, em até 15 dias  – sendo assim, o estabelecimento comercial paga caro por um recebível que não é necessário e ainda corre o risco de ter seu fluxo de caixa desestabilizado.

Outro ponto negativo é a transmissão de informações: já que é o subadquirente que está cadastrado junto ao adquirente, o banco não visualiza os dados do varejista e barra transações mais facilmente. A falta de transparência também facilita o aumento no número de chargebacks, pois o nome na nota fiscal é do subadquirente e não da loja – dessa forma, há mais chances de o comprador final cancelar uma compra, por não reconhecê-la.

Gateway de pagamento

Interface que transporta informações da transação para o adquirente – por ser apenas um canal de comunicação, consegue transmitir de forma transparente os dados dos varejistas. No caso da implementação de um gateway, o adquirente ainda é responsável pelo fluxo do dinheiro – comparado a outros meios de pagamento, o gateway é o que possui maior custo de implementação, pois ainda requer a contratação de antifraude e conciliador de recebíveis.

Antifraude

No mundo online, não existem os mesmos mecanismos de segurança disponíveis em uma transação presencial, tais como chip do cartão de crédito e presença física do comprador. O antifraude analisa o nível de risco da compra via internet – utilizando banco de dados próprio, ele checa informações como endereço de IP e localização geográfica do comprador. A taxa de serviço é cobrada por cada operação – sendo assim, aconselha-se a passar os dados pelo antifraude somente após a aprovação do banco emissor, para que não haja risco de cobrança por uma compra não aprovada.

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